Depoimentos sobre a homossexualidade


Feito por vários profissionais


O mundo gay sempre existiu. O problema é que a sociedade faz vista grossa até hoje. Em outros tempos, a mídia não tinha poder para esclarecer e até mesmo mostrar o universo gay que existia, fazendo com que o preconceito e os maus tratos imperassem. Hoje, temos a força da TV, do rádio, das revistas especializadas e da internet, analisando diversos pontos do cotidiano gay e fazendo com que a fatia preconceituosa reveja seus conceitos sobre mais uma forma de amar. Não é crime amar ou admirar alguém do mesmo sexo. Acho que os grandes causadores de problema são as pessoas que se intrigam e desrespeitam com uma nova visão de mundo. Um mundo de paz e amor.
Renato Gouveia, publicitário



A influência do discurso científico na atualidade e a universalização do diagnóstico são preponderantes no mundo moderno. Nada pode deter isso. Este discurso e esta prática exercem um efeito contra o sujeito, sua singularidade fica sendo efêmera, o gozo fica globalizado. Ou seja, para sermos ‘normais’, temos que ser heterossexuais. O modelo neoliberal e a globalização predominante no cenário mundial influenciam a atual ideologia da ciência, que passa enfatizar o politicamente correto, ou seja, heterossexual. A heterossexualidade fica sendo um ideal e um modelo a ser seguido. Atualmente, em revistas científicas, os pesquisadores têm-se interessado pela descoberta do gene ou do cromossomo da homossexualidade. Essas idéias ganham destaque nos Estados Unidos e em países da Europa, como uma necessidade de buscar um ideal sexual a ser seguido’. A partir do momento em que se busca a resposta da homossexualidade na ciência, se exclui a possibilidade de uma compreensão mais aberta de todas as orientações sexuais: bissexuais, homossexuais e heterossexuais. Para buscarmos um maior entendendimento das orientações sexuais, não deveríamos segregar, mas simplesmente buscar na expressão sexual a possibilidade de uma maior singularidade. A elaboração do saber sobre a sexualidade humana se inicia fora do discurso da ciência, sem o controle do método científico. A sexualidade humana é um enigma para a qual todos tem que elaborar sua própria resposta.
Cláudio Garibe, psicanalista





Todos somos seres humanos e aquilo de que mais precisamos é de respeito e compreensão, não ignorância e violência. Precisamos nos informar, ler e aprender a acolher responsavelmente os gays, que em sua maioria não são respeitados em sua própria família, escola, trabalho ou instituição religiosa. Estarrecedor que muitas vezes os mesmos encontram respeito apenas quando estão sendo atendidos por um profissional. Sejam os gays adolescentes, idosos, casados ou moradores do interior, todos merecem respeito e um atendimento de qualidade e, quando o têm, é visível a mudança nas suas vidas: procuram melhorar a si mesmos, pois na medida em que são respeitados, ouvidos e compreendidos, passam a respeitar a si mesmos. Aquele olhar perdido se encontra e seus olhos passam a brilhar. Eles e elas passam a não se sentir sozinhos no mundo. Após atingida esta etapa em que a auto-estima dos homossexuais está mais fortalecida, pode-se tentar discutir com os gays e travestis estratégias para modificar o contexto de sofrimento que encontram na família, trabalho ou escola. Terminando, temos muito a aprender com a admirável força de vontade dos travestis e gays que são xingados, agredidos e violentados diariamente e que continuam a se encontrar e se articular pacificamente, crentes na possibilidade de viverem numa sociedade diferente da atual. Para isso não precisamos de medidas faraônicas: basta que queiramos aprimorar nosso conhecimento sobre a diversidade da sexualidade e afetividade humana e paremos de esquecer os gays, lésbicas e travestis que sabemos morar ao lado e que carecem de todo o apoio. O que precisamos fazer é estender a mão, para recebermos em troca uma vida mais justa para todos.
Marco Gimenes dos Santos, assistente social



“Como profissional de saúde, sinto que o preconceito dentro da área médica e hospitalar ainda é muito grande. É certo que caminhamos, mas ainda há muito o que se fazer. Como pessoas comuns, temos o dever moral de respeitar a diversidade e, como profissionais, não só o moral, mas também o ético. Acredito que devemos plantar a semente da informação para que a flor do respeito possa nascer. E isso só conseguiremos através da educação e da informação para nossas crianças.”
Clayton Ricardo Guillarducci - Enfermeiro



"Trabalho no Programa Municipal de DST / AIDS da Cidade de São Paulo há dois anos. Confesso que quando fui trabalhar nesta área (AIDS) era muito preconceituosa em relação à homossexualidade, mas convivendo diretamente com HSH (homens que fazem sexo com homens), Travestis, etc., estou muito mais acessível a conversas, discussões e até mesmo a aceitar amigos gays. Cheguei à conclusão que somos preconceituosos por causa do não conhecimento e do não convívio com estas pessoas."
Juliana Celestine - consultora da Unesco e assistente financeira do Programa Municipal de DST e Aids da Cidade de São Paulo

"Considero a diversidade o respeito as diferentes etnias, religiões, culturas, gêneros, condições sócio-econômica e de saúde, deficiências física ou mental e orientações sexuais, um direito à cidadania. Respeitar as pessoas como elas são não é só uma qualidade nas pessoas mas um valor moral que deveria ser ensinado ao nosso filho ao mesmo tempo que ele vai sendo alfabetizado assim crescerá sabendo que não há pessoas certas ou erradas mas sim diferentes. Aprender a respeitar as diferenças é o começo para que você aprenda a respeitar a si próprio."
Cilene Cardoso - Médica




"Sinto que as famiias tem obtido mais informações sobre a homossexualidade e isso pode facilitar cada vez mais a relação entre pais e filhos. A grande maioria de meus amigos homens jamais aceitaria ter um filho/filha homossexual, mas o amor incondicional de pai/mãe acaba mudando esse perfil, e sempre digo isso a eles. Para os pais, o que importa é a felicidade e a saúde dos filhos."
Viviane Teobaldo - Jornalista




"Neste atual contexto penso que, cabe à nós, sujeitos da contemporaneidade , a tarefa de promover todas as formas da expressão da diversidade humana: sexual, emocional, étnico, intelectual e social como condição que tornará possível a vida entre tantas singularidades divergentes. Estar alerta, para identificar as forças emergentes que anunciam a construção de uma nova subjetividade humana e, para representar este pensamento, gostaria de citar Nietzche : " O homem , o ainda não domado, o experimentador de si mesmo, o eterno futuro"
Lilian Andrés - Psicóloga



"Assumir-se inteiramente – de corpo e alma – é uma das experiências mais poderosas e gratificantes na vida de um homossexual: aumenta a auto-estima, resgata (ou faz nascer) a autoconfiança, alivia a ansiedade e permite que ele ou ela desabroche como um ser íntegro, pleno e verdadeiro."
Klecius Borges - Psicólogo



“Os jovens e adultos homossexuais devem estar atentos ao sair do armário, pois muitos sentimentos podem sair juntos. Muitos fatores contra podem surgir, como preconceito, confusão de identidade, medos, culpa, vergonha, conflitos internos, enfim, sentimentos variados. É importante salientar que dúvidas podem estar presentes em pessoas independentes de sua orientação sexual. O ideal é que o recém-saído do armário esteja consciente de que a sua sexualidade e o se erotismo são naturais, que a variação erótica faz parte da natureza humana, por isso é importante rever seus valores, sentimentos, identidade, a fim de arrumar e organizar esse armário, valorizando-se e aperfeiçoando o trabalho por si mesmo, o amor próprio, o auto-respeito, a auto-estima. É salutar ter essas questões fortalecidas e estruturadas para desfrutar uma vida melhor e prazerosa, relacionamentos agradáveis e estáveis, tendo assim a dignidade de SER, assumindo um amor verdadeiro pelo seu sentimento, pelo seu erotismo e sua expressão, mantendo assim a responsabilidade de defender-se no seu íntimo e não perante o social, o público. Isso ocorre quando o ser sente e ama a sua verdade, respeitando-se e nutrindo um sentimento nobre para consigo mesmo.”
Doralice de Oliveira Drago - Psicóloga




“A primeira Parada do Orgulho gay de São Paulo, que eu ajudei a organizar, foi muito ousada, ninguém acreditava, tinha duas mil pessoas. E aí, cinco anos depois, você tem 500 mil pessoas na rua, não dá pra não perceber essa evolução quantitativa. Do ponto de vista qualitativo, isso está sendo muito cobrado, de qual é a mensagem que a comunidade gay está passando hoje para o resto da sociedade. Para muitas pessoas, permanece uma coisa assim: ser gay é se vestir com roupas ousadas, é cai na noite no fim de semana, balada e tudo mais. Eu acho que está na hora de a comunidade gay mostrar que, além disso, que não são coisas ruins, ela se preocupa com outros assuntos que são importantes, ela se preocupa com seus direitos, com o fim da discriminação na sociedade com um todo, por melhores condições de vida pra todo mundo, pela liberdade de expressão, por democracia e tudo mais. Mas eu acho que isso é um aprendizado que vem com o futuro, ainda falta isso, mas não dá pra jogar fora o que já foi feito.”
Luiz Ramires - Tradutor, intérprete e presidente do Grupo Corsa



“O mundo está mudando. Hoje podemos ver a Eugênia ficar com a guarda do Chicão, a Fiat e a Volvo fazendo propaganda para homossexuais, o casal de lésbicas da novela da Globo “Mulheres Apaixonadas” ser aprovado pelo público (66% afirmaram querer que elas assumissem o relacionamento!). E sabe por que as pessoas estão mudando? Porque cada vez mais pessoas como eu e você estamos saindo do armário e mostrando a faceta “gente comum” do homossexual. Antes disso, as pessoas só viam os seres desviantes (o pedófilo, o michê homicida etc). E com isso, generalizavam e achavam que todos nós somos desviantes. Mostrar a nossa cara desmistifica a homossexualidade. É importante para você e para a sociedade toda.”


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"Eu tinha 14 anos quando fui assassinada em 6 de dezembro de 1973. Eu não me fui, eu estava viva em meu próprio mundo perfeito, mas no meu coração eu sabia que não era perfeito. Meu assassino ainda me atormentava. Meu pai tinha as peças mas não conseguia encaixá-las. Eu esperei por justiça, mas ela não veio." Susie Salmon

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